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Sistema a pasto permite aumento de até 946% na produção de leite por hectare

A escolha correta do sistema, tipo de capim e manejo adequado, permite chegar a um aumento de até 946% na produção de leite por hectare, 800% na taxa de lotação (UA/há) e com até 40% a mais de produção de leite (kg/dia) por vaca, revela pesquisador da Embrapa.

A produção de leite a pasto no Brasil utiliza diversos sistemas e podemos classificá-los em dois grandes grupos: sistema de manejo extensivo e sistema de manejo intensivo. Ambos com suas vantagens e desvantagens em relação ao uso correto dos insumos, manejo e outros componentes específicos em cada propriedade.

Para entendermos as diferenças de cada modelo, é importante saber que o sistema de manejo extensivo normalmente ocupa grandes áreas, é mais utilizado na pecuária de corte, restrito a cuidados com taxa de lotação e adubações. Tem muita gente que também adota este sistema na pecuária de leite, sendo que às vezes o leite nem é o produto principal, servindo apenas como complemento no fluxo de caixa da fazenda.

Já no sistema de manejo intensivo, há uma preocupação maior com adubação correta do solo, tipo de cultura e controle de entrada e saída de animais de acordo com a oferta de pasto. Então podemos dizer que é um sistema bem mais exigente quando comparado com o sistema do pasto extensivo.

Aumento produção de leite por hectare

Entendida a diferença entre os sistemas, vale observar que, a escolha correta do sistema, tipo de capim e manejo adequado, permite chegar a um aumento de até 946% na produção de leite por hectare, 800% na taxa de lotação (UA/há) e com até 40% a mais de produção de leite (kg/dia) por vaca.

O pesquisador fez um comparativo entre um pasto que usa uma forrageira bastante comum como a Brachiaria decumbens com baixo valor nutritivo e sem adubação, com taxa de 1,3 UA/ha e produção de 9,9 kg/dia de leite por vaca, sendo 12,9 litros por hectare; e uma pastagem com Panicum maximum – BRS Zuri, com adubação de 300 N + concentrado, que permite 11,7 UA/ha, 13,5 kg/dia de leite por vaca e 135 litros por hectare, um salto bastante significativo na produtividade por hectare.

Alguns fatores devem ser observados para a produção eficiente de leite a pasto, entre eles destacamos:

  • Qualidade do solo
  • Tipo de forrageira
  • Tipo de manejo
  • Tipo de animal
  • Conforto
  • Sanidade

Mas não pense você que tudo são flores, este não é o sistema fácil de ser manejado, pois exige controle absoluto sobre todos os detalhes desta operação. Nas áreas destinadas à pastagem, a entrada e saída dos animais deve respeitar a altura correta da forrageira escolhida e oferta de alimentos. A produção de leite a pasto de forma intensiva tem pontos importantes a serem observados. Então um sistema bem montado, com áreas rotacionadas, sombreamento natural, com água disponível em cada piquete, próximo da área de ordenhas, para que as vacas não precisem se deslocar muito, este animal vai conseguir expressar todo seu potencial e elevar significativamente a produção de leite.

Como escolher a forrageira correta?

Aí que entra a pergunta do milhão e a resposta é bem simples: “Depende”. São diversos fatores que influenciam a escolha correta do tipo de cultura a ser implantada.

Capim certo é aquele que atende às necessidades da produção. Então, é preciso saber o objetivo do uso da forrageira, escolher a planta adequada para o clima e solo da região, corrigir o solo, se necessário, comprar sementes de qualidade, plantar na época certa e manejar bem essa pastagem. O pasto é a principal fonte de alimento do rebanho e, portanto, merece toda atenção do produtor.

Ou seja, você deve conhecer muito bem as condições que se aplicam a sua região e procurar ajuda de especialistas para que possa fazer a análise baseada na sua realidade e não como um padrão a ser seguido.

Tipo de animal e condições do ambiente

Vale destacar que esta análise não levou em consideração um tipo de animal específico, sendo que a raça e condições genéticas também influenciam diretamente na produtividade. No Brasil, principalmente na região Sul, as raças Europeias são bastante utilizadas e por isso devem ser respeitadas as necessidades genéticas deste animal, principalmente relacionadas as condições climáticas e de temperatura. Nestes casos podem ser adotados sistemas de resfriamento artificial como o Free Stall e Compost Barn, modelos já bastante utilizados em nosso país.

Outro ponto importantíssimo e que merece atenção, são os períodos secos. O produtor deve estar preparado para estes momentos e agregar outras soluções como um sistema de irrigação para manter o pasto sempre verde e com alta qualidade nutritiva. Se o alimento já perdeu qualidade, também estamos perdendo produtividade, então como vemos no gráfico abaixo, nós temos um ponto ótimo para se maximizar o ganho e aproveitamento desse animal.

Resumidamente podemos dizer que o sucesso na produção de leite a pasto depende não só da escolha correta do capim, mas também do manejo controlado, de uma gestão eficiente e de investimentos conscientes. Todo pecuarista de leite sabe que o custo de produção é o fator decisivo para a permanência na atividade, por isso o investimento deve trazer o retorno esperado.

Para concluirmos, é necessário frisar que não existe “fórmula mágica” ou “receita de bolo” pronta, cada caso é um caso. Você deve escolher o sistema mais compatível as suas condições, fazer as adequações conforme a realidade de sua propriedade e principalmente colocar na “ponta do lápis”.

Estamos falando aqui de um modelo que para funcionar adequadamente e você possa ter um ganho de produtividade de até 946% na produção de leite por hectare como mostrado, exige controle absoluto. Por isso é importante ter todos os dados e informações bem planilhadas, com indicadores bem definidos e um planejamento a longo prazo.

As informações técnicas aqui descritas, foram apresentadas pelo pesquisador Paulino José Andrade, durante a sua palestra no Curso “Tudo sobre o setor de leite e derivados”, oferecido pela Embrapa Gado de Leite aos comunicadores do Agro.

Fonte:

AGRONEWS