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Rumo ao futuro: o agro é ávido por inovação

Saiba qual é a importância das inovações tecnológicas para o agronegócio brasileiro e como isso influencia o dia a dia de produtores e consumidores

Na sua próxima refeição, preste atenção aos alimentos que estão colocados à sua mesa. Para que todos eles cheguem com qualidade até a sua casa, desde o pãozinho com manteiga do café da manhã até o almoço tradicional de arroz e feijão, é necessário o uso de tecnologias durante o processo de produção.

Considerando a cadeia produtiva como um todo, é fato que o agro busca cada vez mais inovar. De acordo com a Confederação da Agricultura e da Pecuária do Brasil (CNA), o mundo está passando por uma grande transformação no campo, sabendo que terra e água são recursos cada vez mais em falta e que a população mundial deve chegar a 9,5 bilhões de pessoas até 2050.

Isso significa que será necessário um aumento de 60% na produção de alimentos nos próximos 30 anos, com menos área e água à disposição. A dúvida que deve passar pela cabeça de todos é: como o agro está lidando com essa situação diante do desafio de produzir e preservar? Neste cenário, alguns pontos de destaque sustentam a nova revolução que vem ocorrendo no campo e que, juntos, influenciam todos os processos produtivos.

Conectividade: o campo entrando para a rede

Quando se fala em conectividade, o próximo grande avanço dessa área é a tecnologia 5G. O instituto de ciência e tecnologia Venturus define 5G como uma tecnologia de redes até 20 vezes mais rápida que o 4G e que permite a comunicação entre máquinas com baixas taxas de latência.

O presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) Igor Calvet, em entrevista ao programa CB.Agro, diz que “o 5G já foi testado em outros países e vai permitir uma revolução em várias áreas. A baixa latência auxilia a mandar comandos e informações rapidamente. Você pode ter uma máquina apenas dando instruções para outras máquinas autônomas”.

As consequências para o agro do uso e da disseminação do 5G envolvem, segundo análise setorial da empresa de tecnologia Ericsson, redução de custos nas operações do campo e na análise do solo, conversão das propriedades em fazendas inteligentes, com mais acesso à informação, à assistência técnica e melhora do uso de outras tecnologias, gerando melhorias nos rendimentos das lavouras.

Biotecnologia: inovações para romper barreiras

As inovações na área da biotecnologia são muito importantes para, ao mesmo tempo, aumentar a produtividade, melhorar a qualidade dos alimentos e conferir resistência a pragas e condições adversas.

Prova de que o segmento de biotecnologia do Brasil está lidando com esses fatores é o número de variedades geneticamente modificadas aprovadas, segundo o Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA): 111.  Além disso, lavouras geneticamente modificadas de milho, soja e algodão ocuparam uma área de 53,2 milhões de hectares no país em 2019, de acordo com o Atlas do Agronegócio Transgênico no Cone Sul – Monocultivo, resistência e propostas do povo. Essa área é pouco mais de duas vezes maior que o estado de São Paulo.

É importante destacar também a relevância do uso da biotecnologia para o meio ambiente. Um exemplo disso é a safra 2017/18 na América do Sul da soja Intacta, variedade geneticamente modificada do grão. Um estudo realizado pela consultoria Graham Brookes Consulting aponta que a área ocupada por essa safra ocupa um espaço 2,2 milhões de hectares menor do que uma safra de soja convencional ocuparia.

A Lei 11.005 de 2005, conhecida como Lei de Biossegurança, garante a segurança dos alimentos aos brasileiros e prevê que todos os organismos geneticamente modificados devem passar pelos testes dirigidos pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) para que recebam o Certificado de Qualidade em Biossegurança (CQB) antes de chegarem nas prateleiras dos supermercados para compra e consumo da população.

Sustentabilidade: fazer mais usando menos

A necessidade se se produzir mais para atender à crescente demanda por alimentos está levando o agro a buscar novas saídas para aumentar a produção sem consumir agora todos os recursos disponíveis no País. Nesse sentido, passa-se a considerar um conceito mais amplo, que não se restringe apenas ao agronegócio: desenvolvimento sustentável.

Por definição da organização não governamental WWF-Brasil, trata-se do desenvolvimento que supre as necessidades da geração atual, garante a capacidade de atender as demandas das gerações futuras e não esgota os recursos para o futuro.

O caso da soja mencionado destaca a importância de avanços biotecnológicos para o agro. Esse exemplo também é válido para a questão da sustentabilidade e do desenvolvimento sustentável. Não fosse o desenvolvimento dessa variedade geneticamente modificada de soja, aquela safra teria ocupado uma área equivalente ao estado de Sergipe maior para o plantio.

Práticas como plantio direto, com redução das operações de preparo do solo, tratamento de dejetos, agricultura orgânica, integração lavoura-pecuária-floresta, correto descarte de embalagens de defensivos, recuperação de áreas degradadas e fixação biológica de nitrogênio são consideradas como sustentáveis e todos os elos da cadeia do agronegócio podem contribuir para a sustentabilidade do país e do planeta, segundo a Cartilha Agronegócio Sustentável do Banco do Brasil.

AgTechs: levando a tecnologia ao campo

Considerando a importância das inovações tecnológicas para o agro, como esses recursos chegam ao campo? É aí que entram as AgTechs. De acordo com o órgão ESALQTec, incubadora tecnológica que atua junto à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiróz/Universidade de São Paulo (ESALQ/USP), AgTechs são empresas que levam tecnologia para o campo com a finalidade de facilitar o trabalho na cadeia do agronegócio.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), na publicação Visão 2030: O Futuro da Agricultura Brasileira, aponta uma crescente participação de empresas do setor privado em ações de transformação digital via AgTechs. Empreendimentos dessa natureza utilizam os recursos tecnológicos e as inovações como ferramenta para promover o compartilhamento de conhecimentos, melhorar a eficiência no campo, criar experiências personalizadas e novos modelos de trabalho.

Empresas de tecnologia para o agronegócio desenvolvem novas ferramentas para:

  • Integrar a comunicação entre os setores da produção;
  • Estudo e uso de alternativas energéticas;
  • Monitoramento e controle ambiental;
  • Uso em larga escala da biotecnologia.

No Brasil, em um ano de tantas incertezas em decorrência da pandemia do novo coronavírus, 44% das AgTechs conseguiu aumentar o seu valor de mercado em 2020, segundo levantamento da AgTech Garage, um dos principais centros de inovação do agronegócio mundial. Essa estatística é reflexo, principalmente, das demandas de digitalização rural, de gestão remota e de vendas digitais.

Fontes:

https://venturus.org.br/os-impactos-da-rede-5g-no-agro/

https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2020/09/4876315-5g-pode-revolucionar-producao-no-campo-afirma-presidente-da-abdi.html

https://www.cnabrasil.org.br/artigos/a-nova-revolucao-na-agricultura

https://www.agrolink.com.br/noticias/chegada-do-5g-no-campo-promete-revolucao_442664.html

https://www.esalqtec.com.br/site/agtech-conheca-as-13-principais-startups-brasileiras-que-estao-mudando-o-agronegocio-no-brasil-e-no-mundo/

http://www.agronovas.com.br/tecnologia-no-campo-3/

https://www.inovativabrasil.com.br/startup-agronegocio/

https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/o-que-e-uma-startup,6979b2a178c83410VgnVCM1000003b74010aRCRD

https://www.agrolink.com.br/noticias/agricultores-tem-acesso-gratuito-a-informacao-tecnologica_442757.html

https://www.agrolink.com.br/noticias/senado-aprova-ampliacao-da-conectividade-no-campo_442737.html

https://revistagloborural.globo.com/Noticias/Agtech/noticia/2020/10/novo-estudo-mapeia-mercado-de-startups-do-agro-no-brasil.html

https://revistagloborural.globo.com/Noticias/Agtech/noticia/2020/09/valor-de-mercado-de-44-das-startups-do-agro-cresceu-na-pandemia-revela-levantamento.html

https://www.agtechgarage.com/

https://transformacaodigital.com/agronegocio/agtechs-o-que-sao-e-como-estao-revolucionando-o-agronegocio/#:~:text=AgTech%20%C3%A9%20um%20termo%20que,novas%20tecnologias%20aplicadas%20no%20campo.

https://www.isaaa.org/gmapprovaldatabase/approvedeventsin/default.asp?CountryID=BR&Country=Brazil

https://blog.jacto.com.br/quais-sao-os-proximos-avancos-da-biotecnologia-na-agricultura/

http://www.biodiversidadla.org/Atlas

https://www.grupocultivar.com.br/artigos/qual-e-a-contribuicao-dos-transgenicos-para-o-meio-ambiente

https://www.bb.com.br/docs/pub/inst/dwn/CartAgroImgfinal.pdf

https://www.wwf.org.br/participe/porque_participar/sustentabilidade/#:~:text=%C3%89%20o%20desenvolvimento%20que%20n%C3%A3o,econ%C3%B4mico%20e%20a%20conserva%C3%A7%C3%A3o%20ambiental.

https://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/milho/arvore/CONTAG01_72_59200523355.html