Qualidade e bem-estar animal: dois lados da mesma moeda?

Foco nas condições de vida dos animais antes do abate desmistifica crença de que eles passam por sofrimento e estresse

Você provavelmente já deve ter olhado para a sua refeição e pensado em toda a trajetória que o seu peito de frango grelhado, o seu bife ou o seu ovo frito, por exemplo, percorreram até chegar ao seu prato. Muitas pessoas utilizam a palavra “sofrimento” para descrever a condição de vida de animais antes de serem comercializados nos supermercados. A realidade, no entanto, vem se mostrando bem diferente nos últimos anos.

Para chegar à mesa dos consumidores, um alimento é preparado para que ofereça à população a melhor qualidade possível. Quando esse alimento tem origem animal, é colocado em pauta, também, um tópico que cada vez mais se torna popular no meio da pecuária: o bem-estar animal.

A entidade de Proteção Animal Mundial (WAP, em inglês), aponta que, no mundo inteiro, são criados 70 bilhões de animais todos os anos destinados a fornecer carne, leite, ovos e outros produtos para o consumo humano. De acordo com a WAP, muitos desses 70 bilhões vivem em condições de estresse e sofrimento.

Segundo a Coordenação de Boas Práticas e Bem-estar Animal (CBPA), órgão pertencente ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), bem-estar animal aponta como um animal está lidando com as condições em que vive. Esse conceito pressupõe prevenção de doenças e tratamento veterinário apropriados, abrigo, manejo e nutrição adequadas, manipulação e abate/sacrifício humanitários.

Todos esses aspectos são baseados nas cinco liberdades animais, teoria trabalhada pela veterinária Ruth Harrison no livro Animal Machines (Máquinas de Animais) e revisada pelo Conselho de Bem-Estar de Animais de Fazenda (FAWC, em inglês). Elas consistem no animal:

  • Estar livre de fome e sede: acesso a água e alimento adequados para manter a saúde e o vigor;
  • Estar livre de desconforto: ambiente adequado a espécie em questão, com condições de abrigo e descanso adequados;
  • Estar livre de dor doença e injúria: prevenção, rápido diagnóstico e tratamento apropriado;
  • Ter liberdade para expressar os comportamentos naturais da espécie: proporcionado por espaço suficiente, instalações em boa qualidade e a companhia adequada da espécie do animal;
  • Estar livre de medo e de estresse: condições e meios que evitem o sofrimento mental.

As práticas de bem-estar animal trazem consequências positivas para toda a cadeia produtiva, desde o dono da fazenda até o consumidor final.

Entre os benefícios, estão: manejo mais eficiente dos animais, deixando-os menos estressados e menos suscetíveis a doenças, redução em gastos com medicamento, redução de lesões em animais e em profissionais, maior produtividade, produtos com melhor qualidade e consumidores mais felizes com os alimentos que chegam à mesa.

A demanda por produtos de criação mais humanizada é crescente nos dias de hoje. Reflexo disso é que grandes empresas do setor alimentício estão firmando compromisso com o bem-estar animal, buscando fornecedores alinhados aos princípios de criação listados acima.

Isso se configura como outro benefício ao produtor rural: estar presente nesse nicho de mercado, que confere vantagens competitivas em relação aos criadores que não aplicam o conceito de bem-estar animal.

Respondendo à questão proposta no título, qualidade do alimento e bem-estar animal representam dois lados da mesma moeda. Os dois conceitos caminham e prosperam em conjunto e são dependentes um do outro.


Fontes:

https://www.worldanimalprotection.org.br/blogs/so-comida-agua-e-abrigo-bastam

https://www.worldanimalprotection.org.br/blogs/entenda-o-que-e-bem-estar-animal

https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/producao-animal/arquivos/Introduoarecomendaessobrebemestaranimal.pdf

http://www.usp.br/portalbiossistemas/?p=8207

https://certifiedhumanebrasil.org/respeito-aos-animais-vantagens-criacao-com-bem-estar/