Pesquisa revela que Agro não parou com a pandemia e que produtores rurais mantiveram investimentos

Dados da 8ª Pesquisa ABMRA Hábitos do Produtor Rural, da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio, divulgados na manhã da terça-feira, 25 de maio, apontam que 64% dos produtores rurais sentiram baixo impacto da pandemia nos seus negócios e mantiveram os investimentos e, principalmente, os alimentos na mesa dos brasileiros.

Um dos principais objetivos da apuração é o de mostrar o que está na mente dos agricultores e criadores no momento em que o Brasil e o mundo ainda são impactados pela pandemia do novo coronavírus.

A pesquisa, que levantou o perfil dos produtores mostrou que, em razão do deste pequeno efeito da crise sanitária no setor, 86% deles não fizeram qualquer mudança na administração de suas propriedades e 78% têm mantido os planos de investimentos mesmo diante do cenário instável.

De acordo com as informações apresentadas, a pesquisa foi promovida presencialmente, seguindo todos os protocolos de saúde e segurança, e foi realizada entre outubro de 2020 e janeiro de 2021 com 3.048 produtores rurais (homens e mulheres com poder de decisão, de propriedades de pequeno, médio e grande portes) de 16 estados de todas as regiões do país, abrangendo 14 culturas agrícolas e 4 atividades animais.

“Esse levantamento é essencial para todos os agentes da cadeia da produção, incluindo empresas das mais diferentes áreas de atuação, entidades de classe, órgãos governamentais, formadores de opinião e meios, para entender os hábitos dos produtores e a relevância ou mesmo a baixa relevância dos novos agentes de comunicação, como as mídias sociais, a tecnologia de forma geral e os influenciadores digitais do agro”, afirma o vice-presidente da ABMRA, Ricardo Nicodemos, que também coordena o Movimento Todos a Uma Só Voz.

Produtores usam a internet para se atualizar

Um dos grandes indicativos da pesquisa é que nunca o conteúdo foi tão importante nas mídias digitais. Prova disso é que 74% dos produtores usam a internet para se atualizar. O levantamento comprova a relevância do Whatsapp como meio de comunicação digital. Nada menos do que 76% dos produtores usam a plataforma para realizar negócios, o que é uma novidade.

“O Facebook continua sendo importante como rede social, porém não para fazer negócios, e o YouTube quase triplicou de importância em relação à pesquisa de 2017”, detalha o presidente da ABMRA, Jorge Espanha.

Essa nova realidade digital se dá por conta da maior oferta de internet no meio rural, disponível para 8% dos produtores de animais e 91% para os agricultores.

Apesar do avanço das ferramentas digitais de comunicação, o presidente da ABMRA destaca a resiliência do meio rádio, que permanece muito importante no meio rural, além da confiança dos agricultores e criadores nas revistas e jornais.

Um em cada quatro produtores participantes da pesquisa (26%) disse que “a revista é muito importante para me manter informado sobre o setor rural” e 30% destacaram que “jornais e revistas do agronegócio ajudam os profissionais do campo a inovar e aumentar os seus ganhos”.

Ainda sobre os meios de comunicação tradicionais, os produtores preferem a TV aberta, seguida por rádio, TV especializada, jornal e revista.

Mulher ganha cada vez mais espaço em postos de gestão

A mulher ganha cada vez mais espaço no campo, particularmente em postos de gestão e em determinadas atividades produtivas, representando 26% dos cargos de decisão e comando. Para 94% dos produtores rurais consultados, a mulher é vital ou muito importante no negócio rural.

O Brasil é muito grande e tem características regionais próprias, inclusive em termos de perfil da produção, o que se reflete no resultado da pesquisa. Um exemplo é a mulher no campo, especificamente quanto à sua maior ou menor presença em postos de gestão ou liderança. Na pecuária de leite, por exemplo, ela participa com 88%; em contrapartida, na soja, com apenas 2%.

Pesquisa ABMRA é feita desde 1985

A Pesquisa ABMRA Hábitos do Produtor Rural é realizada pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA) desde 1985. A 8ª edição é a maior da história, incluindo 16 culturas agrícolas (grãos, perenes e hortifrúti) e quatro animais (pecuária de corte e de leite, avicultura e suinocultura). As entrevistas foram realizadas em 16 estados – participação de todas as regiões do País.

Foram ouvidos 3.048 produtores rurais, sendo 2.310 agricultores e 738 criadores, de pequeno, médio e grande portes com um total de 4.500 horas de entrevistas. Pesquisa ampla, atual e detalhada, trata-se de uma espécie de ‘censo do IBGE’ dos produtores rurais.

Fonte: www.abmra.org.br