O boi é responsável pelo aquecimento global?

A sociedade é frequentemente lembrada de que precisa ser mais sustentável, porque o modelo de desenvolvimento praticado há anos, mundo afora, tem colocado a sobrevivência de todos em risco.

O principal deles está associado às mudanças climáticas globais causadas pela queima dos combustíveis fósseis, os quais lançam na atmosfera milhões de toneladas diárias de gás carbônico (CO2). No entanto, sozinho o CO2 não é um dos gases mais poluentes, mas acaba sendo o vilão do aquecimento atmosférico, devido às grandes quantidades produzidas.

Em segundo lugar está o gás metano (CH4), que chega a ser 25 vezes mais poluente do que o gás carbônico e pode ser mais danoso para o aquecimento global do que as emissões de CO2 provenientes dos automóveis, de acordo com inventário do governo brasileiro. Ele é produzido a partir da decomposição de matéria orgânica, processos industriais, produção e queima de combustíveis fósseis, vulcões e, principalmente pelo rúmen e a eructação (arroto) dos bovinos e outros ruminantes.

Como o Brasil possui um dos maiores rebanhos bovinos do planeta (cerca de 220 milhões de cabeças), é constantemente questionado pela sua emissão de metano. Segundo dados do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa), o rebanho bovino brasileiro emitiu 392 milhões de toneladas de gases de efeito estufa em 2016. Isso equivale a 17% de todas as emissões de gás carbônico do Brasil naquele ano.

Mas, o que fazer? O primeiro pensamento pode ser excluir a carne do cardápio, mas essa não é a melhor maneira. Isso porque a diminuição de bovinos reduziria o cultivo de pasto, que hoje pode sequestrar mais carbono da atmosfera do que o gás emitido pelos animais. O ideal seria focar na prática de uma agropecuária sustentável, que vem crescendo no Brasil por meio da ILP (Integração Lavoura Pecuária) e ILPF (Integração Lavoura Pecuária Floresta), da recuperação de pastagens degradas, entre outras ações.


Pesquisa diminui 30% das emissões

Depois de oito anos de pesquisa, o cientista Maik Kindermann conseguiu criar uma molécula que diminui em 30% a emissão de gases das vacas e bois. O processo continuará a ser aprimorado para que no futuro as vacas possam emitir até 70% menos de emissão de gás metano e ajudar ainda mais a diminuir o efeito estufa. A nova substância deverá ser acrescentada à ração dos animais. A empresa só aguarda a liberação do produto pela União Europeia e o Ministério da Agricultura no Brasil e a previsão é que até o início de 2021 os trâmites sejam concluídos.

Fontes:

https://climainfo.org.br/2018/06/25/rebanho-bovino-responde-por-17-das-emissoes-de-gases-de-efeito-estufa-no-brasil/

https://blogs.canalrural.com.br/embrapasoja/2018/05/04/as-vacas-e-o-aquecimento-global/

https://www.milkpoint.com.br/colunas/fabricio-nascimento/as-vacas-pararam-de-poluir-219111/

https://wribrasil.org.br/pt/blog/2019/08/5-perguntas-e-respostas-sobre-emissoes-de-gases-de-efeito-estufa-da-agropecuaria

https://www.epagri.sc.gov.br/index.php/2020/02/11/pesquisadores-da-epagri-de-lages-pretendem-quantificar-a-emissao-de-gases-de-efeito-estufa-na-pecuaria-do-estado/

https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2019/07/vacas-arrotam-metano-e-contribuem-para-efeito-estufa-mas-e-possivel-evitar

https://www.canalrural.com.br/noticias/resolvido-enigma-emissao-gases-dos-bois-59291/

https://exame.com/ciencia/cientista-reduz-o-pum-da-vaca-em-30-acredite-isso-e-muito-importante/