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Lideranças do agronegócio apontam profissões em alta entre 2021/2022

Movimento Todos a Uma Só Voz indica caminhos para quem deseja avançar na carreira ou mesmo ingressar no setor

O mercado de trabalho ainda está sofrendo impactos diretos causados pela pandemia. O biênio 2021/2022 ainda está indefinido, não se sabe se ele será lembrado pelo agravamento da crise ou pela distribuição das vacinas. Alguns setores da economia vivem cenários ainda mais complexos, como é o caso do agronegócio, com algumas atividades limitadas e demandas aquecidas. Apesar das barreiras, o setor segue contratando.

Agroindústria e setor primário foram as áreas de atuação que mais abriram vagas no segundo trimestre de 2020, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da ESALQ/USP. “Muita gente começou um trabalho novo durante a pandemia, e o agro só conseguiu se destacar porque hoje participa desta dianteira do uso da tecnologia no País. Algumas atividades não podem ser feitas em home office e outras se reinventaram, porque o brasileiro é criativo no meio da crise”, comenta Ricardo Nicodemos, vice-presidente da Associação Brasileira de Marketing Rural (ABMRA).

Nicodemos é um dos idealizadores do Todos a Uma Só Voz, movimento criado no começo de 2021 com o objetivo de conectar ainda mais o campo ao consumidor brasileiro. Ao lado de outras lideranças e especialistas, ele aponta as profissões que devem estar em alta no setor entre este ano e 2022.

“O aumento do consumo de proteína no Brasil e a maior exigência do consumidor vai influenciar diretamente a criação de novos tipos de trabalho no agro. Acredito que a participação de engenheiros agrônomos vai conviver ainda mais com outras engenharias como a de alimentos e de produção, além dos profissionais de Inovação e P&D. No Brasil, esse ramo é especialmente interessante por conta dos desafios de logística e supply chain”, ressalta Nicodemos.

“A intensa profissionalização do setor abriu caminhos para outras profissões que não víamos no campo. O vendedor de produtos passou a atuar como uma espécie de influenciador, esta venda consultiva deve crescer porque, se o setor se amplia, também crescem os portfólios de produtos e serviços. Também por isso, acredito que vamos ver uma atuação maior do PMO (Project Management Office), que é a equipe ou pessoa responsável por projetos, fenômeno que em outros setores econômicos já se tornou realidade”, complementa.

“Não podemos nos esquecer das profissões que estão na base do agronegócio como engenheiros agrônomos, médicos veterinários e zootecnistas. Estes profissionais vão seguir em alta, mas o que muda é a forma de atuação. Os novos alcances da tecnologia e velocidade dos negócios exigiram de todos um papel de gestor: de tempo, de pessoas, de insumos etc. Esse novo peso das profissões no agro também vai pedir que os profissionais de tecnologia que atuam com o campo sejam mais estratégicos, o que deve abrir novas posições com melhor remuneração no agronegócio”, analisa Luciana Florêncio, PhD em Economia e Professora de Pós-Graduação da ESPM.

“A nova realidade tem exigido de todas as empresas, cooperativas, industrias e restaurantes um maior comprometimento com as relações de longo prazo com seus diversos stakeholders. O foco no resultado de curto prazo deverá ser substituído por compromissos de horizonte alongado que se traduzam em parceria e alianças estratégicas entre vendedores e clientes, entre empresas e seus consumidores. Neste sentido, todos os setores demandarão profissionais com olhar estratégico e ações coordenadas entre os elos das cadeias. Entraremos, finalmente, na era da co-criação de valor no agronegócio e no foodservice”, salienta Luciana.

“A distância entre o campo e a cidade está cada vez menor, tanto pelo maior conhecimento sobre a origem dos alimentos quanto pela profissionalização do setor. Estarão em alta profissões que ajudem a traduzir a linguagem do campo para o consumidor final. Ainda veremos a chegada de novos influenciadores, inclusive em novas plataformas de acesso dos consumidores e restaurantes, direto com produtores. Alguns temas devem atrair mais a atenção para o trabalho no campo como bem-estar animal, sustentabilidade e qualidade dos alimentos”, aponta Ana Vaz, embaixadora do Capitalismo Consciente e Food Business Designer.