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Baunilha: uma fonte alternativa de renda para agricultura familiar

Pioneira no cultivo de baunilha em estufas no Espírito Santo, a Fazenda Cachoeira do Cravo, em São Mateus, não é a única produtora em solo capixaba. Existem plantações em Muqui, Santa Leopoldina e Aracruz usando como tutor para baunilha, única orquídea que produz frutos comestíveis, árvores nativas e frutíferas.

Em Muqui, no Sul do Estado, são pelo menos quatro produtores, entre eles o Roosevelt do Espírito Santo Candido Junior, que tem cerca de 20 pés da espécie Vanilla Planifolia, todos em frutíferas plantadas no quintal. Junior tomou gosto pelo cultivo com o pai, Roosevelt Candido, que fez o primeiro cultivo há mais de dez anos. Hoje, além da comercialização das vagens, ele também produz mudas para vender.

Agricultor familiar, Junior enxerga na produção de baunilha uma segunda fonte de renda, especialmente pelo valor. Vale ressaltar que a baunilha é a segunda especiaria mais cara do mundo, só perde para o açafrão. O agricultor já vendeu a vagem a R$ 25 a unidade. Já a muda não é vendida por menos que esse valor.

“É uma fonte de renda alternativa para o pequeno produtor da agricultura familiar. A principal aqui para nós é o café, mas vale a pena investir pelo valor que você vende. Além da parte da preservação, uma vez que não é necessário tirar a mata para abrir espaço para o cultivo”, comenta.

Justamente por concordar com Junior, quanto à questão ambiental, José Arcanjo Nunes, engenheiro agrônomo e doutor em Produção Vegetal pelo Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), apoia o crescimento do plantio de baunilha no Estado. Para ele, plantar baunilha é um bom negócio, tanto do ponto de vista ambiental, quando plantada em meio à natureza, quanto econômico.

“A atividade está começando a ganhar espaço no Espírito Santo e tenho esperança de que a baunilha seja cada vez mais cultivada, de preferência, em ambientes de floresta, de mata, aproveitando a sombra das árvores. Isso ajuda a manter a floresta em pé. Além disso, é uma ótima oportunidade de geração de renda para agricultura familiar, uma vez que o custo com o plantio é muito baixo e o retorno, muito atraente”, enfatiza Arcanjo.

Pedro Yoshinaga, biólogo da Universidade de São Paulo (USP), que ajudou na implantação do plantio em estufa em São Mateus, explica que o cultivo deve ser feito em local sombreado. Nas estufas, os pés da planta são fixados em estacas, como no cultivo da pimenta. “Por ser uma planta que não pode ser exposta ao sol diretamente, o plantio deve ocorrer em local com cobertura que deixe passar apenas 50% do sol. Na natureza, ela fica em meio às árvores que se encarregam de fazer essa sombra”, ressalta.

Segundo Arcanjo, a opção do uso da estaca para fixar a baunilha também pode ser feito em meio à mata, pois facilita a polinização. “A baunilha precisa de um tutor, assim como já vemos na produção de pimenta-do-reino, por exemplo. Então, a opção do uso da estaca também no plantio em floresta é uma alternativa, porque ela só cresce até o topo da estaca, e não continua crescendo, como ocorre com a árvore. Isso ajuda na polinização”.

Para que as favas da baunilha aconteçam, o biólogo da USP explica que é realizada uma técnica de polinização manual das flores que se abrem pela manhã. Isso torna possível a formação das favas, que maturam acumulando vanilina, substância que dá o aroma, por um período de aproximadamente nove meses. Quando maduras, são colhidas uma a uma e passam por algumas etapas para secar e curar, o que leva por volta de três a seis meses.

 

Fonte: Conexão Safra