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Agricultura familiar impulsiona a segurança alimentar na região de Rio Preto

Agricultores que produzem hortaliças, legumes e frutas têm impulsionado o trabalho no campo. A atividade denominada como agricultura familiar representa 77% dos estabelecimentos agropecuários brasileiros e emprega 10 milhões de produtores rurais no País. Em Rio Preto, dados do Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que, de um total de 413 propriedades rurais pesquisadas, 238 são de agricultura familiar.

Especialistas avaliam que a agricultura familiar, além de fomentar o trabalho de produtores no campo, abastece o mercado dos municípios, com diversidade de produtos, e contribui para uma alimentação de maior qualidade. Para os produtores familiares, o trabalho ainda possibilita renda a mais a partir de participação em programas de alimentação promovidos por órgãos públicos.

A família do agricultor Ronaldo Roversi se dedica há seis anos à produção de hortaliças e fornece alimentos aos programas de alimentação da Prefeitura de Rio Preto. Em uma área de 24,2 mil metros quadrados, no distrito de Talhado, ele, o pai, Olavo, e o irmão, Reginaldo, produzem 24 mil pés de alfaces no ciclo de 28 dias.

O produtor conta que a lida na roça teve início com o pai, que antigamente produzia arroz e café, em uma época em que a produção destes produtos era mais vantajosa na região. “Resolvemos investir na produção de hortaliças em sistema de hidroponia e estamos até ampliando a área, já que fornecemos os alimentos para a merenda escolar e outras instituições da cidade”.

Ronaldo participa dos programas que fornecem alimentos às instituições e também conseguiu recursos de financiamentos de linhas de créditos do governo, dentro dos parâmetros da legislação da agricultura familiar. Para o produtor, com os altos custos da produção agrícola neste ano, em todas as culturas, os incentivos proporcionados pelos programas que dão acesso ao fornecimento de alimento por parte do agricultor familiar possibilitam uma rentabilidade maior para o negócio.

Alimentos naturais

Lado a lado com o marido Reinaldo Paulino do Prado e as filhas Geovana e Mayana, a produtora Ceci Bonito está satisfeita com a produção de alimentos naturais cultivados em família. “Amo trabalhar a terra e produzir alimentos com meu companheiro e a ajuda das minhas filhas em tarefas que contribuem com toda a produção agrícola. E o resultado é o melhor, a nossa contribuição com os alimentos fresquinhos que chegam aos nossos clientes”, diz Ceci.

Alimentos sem o uso de produtos químicos envolvem o trabalho do casal Ceci e Reinaldo em um hectare de lavoura, em Ipiguá, garantindo o sustento deles com a mão de obra apenas da família. Os hortifrútis, segundo Ceci, são comercializados em cestas que a família leva para os consumidores de Rio Preto e região.

Atividade prevista

Na legislação brasileira, a agricultura familiar está prevista como atividade econômica para o agricultor ou empreendedor rural. De acordo com o engenheiro agrônomo da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (Cati), de Rio Preto, Andrey Vetorelli Borges, o agricultor familiar deve participar com a mão de obra dos familiares, sendo permitido ao produtor ter apenas um funcionário contratado.

Para atender ainda à legislação, Andrey explica que o produtor não pode ultrapassar quatro módulos fiscais, com variação para cada município brasileiro. “Em Rio Preto, o agricultor familiar não pode ultrapassar 48 hectares de área a ser trabalhada e a renda precisa ser predominantemente da atividade rural”, explica o agrônomo.

Andrey destaca ainda que a atividade da agricultura familiar é muito importante para a segurança alimentar, mantendo a diversificação de alimentos que chegam à mesa da população. “Se o produtor faz o cadastramento como agricultor familiar, terá acesso aos programas de políticas públicas, como por exemplo, a venda dos alimentos à merenda escolar, em instituições e banco de alimentos dos municípios”, completa Andrey.

Conferência aborda a temática

Prevista para o próximo dia 26, a 4ª Conferência Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional, no Instituto de Pesca de Rio Preto, discutirá assuntos importantes da cadeia produtiva de alimentos, com o tema “Agricultura Familiar como agente de transformação na alimentação saudável e o caminho para a erradicação da fome”. O evento terá a presença do zootecnista Rafael Zavala, que representa a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) no Brasil.

Em entrevista ao Diário, Zavala – que também possui mestrado em Agricultura Sustentável pela Universidade de Londres e é PhD em Políticas para o Desenvolvimento Rural – diz que eventos que promovam uma nova cultura alimentar nas cidades, de forma que os consumidores saibam de onde vêm e como são produzidos os alimentos em seus pratos, são essenciais.

“Não há mais espaço para “comida anônima”, que não se sabe de onde vem ou como é produzida. Temos que informar melhor o consumidor e esses tipos de eventos tornam a agricultura familiar mais visível. Uma outra oportunidade é promover rotas gastronômicas, onde se misturam os sabores e o trabalho da grande diversidade do meio rural do Brasil”, afirma o representante da FAO, que falará ainda sobre os avanços no desenvolvimento sustentável do campo.

Sobre a agricultura familiar, Zavala afirma ainda que além das políticas de fomento promovidas pelo governo federal, como o Alimenta Brasil (novo programa de aquisição de alimentos), crédito agrícola e habitação rural, vale a pena destacar uma variedade de estímulos que são promovidos pelos governos locais e estaduais, com estratégias alimentares voltadas à população.

Fonte: Diário da Região