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Abóboras e abobrinhas: confira as melhores épocas de semear e de colher

No Estado de São Paulo, enquanto produtores de algumas regiões esperam a temporada de chuvas passar para plantar abóboras, outros semeiam e colhem praticamente o ano todo. Há ainda os que começam a ‘preparar o berço’ para os novos plantios em julho; posteriormente, fazem a semeadura em outubro; e colhem de janeiro até março, como é o caso dos produtores orgânicos como Emerson Xavier de Souza, de Parelheiros, bairro onde se concentram os produtores que servem a maior capital do País.

Há cinco anos, Emerson, que nasceu e foi criado dentro da agricultura familiar, resolveu retomar o plantio de abóboras secas aprendido com a mãe, Dona Mercedes, e, em pouco tempo, já produzia grandes abóboras,  tornando-se ainda mais conhecido na região por suas abóboras gigantes. Em 2018, o Sítio Orgânico Plenitude virou sensação quando Emerson construiu cinco montes de abóboras, cada um com cerca de 800 a mil quilos, bem na entrada da propriedade, que fica na beira da estrada que leva às praias paulistas e se divertiu vendo várias pessoas pararem para tirar fotos e, claro, também, comprar abóboras.

No ano passado, Emerson e a esposa Selma colheram cerca de oito toneladas, cultivadas em 2,5 ha. Segundo ele, foi pouco menos em função da pandemia; no ano anterior foram colhidas cerca de 11 toneladas e, para 2021, ainda está colhendo e nem teve tempo de fazer as contas. Mas, segundo o conhecido produtor de abóboras secas da zona sul da Capital paulista, é preciso ter um consumidor certo. “As abóboras chegam a durar até cinco ou seis meses depois de colhidas, isso se forem bem cuidadas, coletadas no período correto, ou seja, já maduras, e armazenadas de maneira a preservá-las”. Para o sucesso na atividade, alguns detalhes são fundamentais e vários deles foram aprendidos com seus pais, Dona Mercedes e Seu Manoel, que criaram 11 filhos cultivando abóboras e criando porcos. Era a dupla perfeita, pois as abóboras serviam para alimentar os porcos. Além disso, cultivavam milho, feijão, chuchu e batata. “A batata que deu nome ao Largo da Batata”, relembra Emerson, que, além de abóboras, também cultiva várias outras hortaliças e raízes, como mandioca, brócolis, repolho e alface, todos orgânicos certificados pelo IBD (Instituto Biodinâmico).

Emerson constituiu família em Parelheiros e manteve a tradição familiar e o aprendizado no ramo das abóboras. “Tenho um paiol onde as abóboras são guardadas depois de lavadas e secas. Foi minha mãe que me ensinou que as abóboras têm que ‘descansar’ em um local escuro, para depois aguentarem a luminosidade em galpão aberto, onde ficam até serem comercializadas. A comercialização é feita via Cooperativa Agroecológica dos Produtores Rurais e de Água Limpa da Região Sul de São Paulo (Cooperapas) e outros organismos sociais que vendem produtos orgânicos. “Mas muitos vêm buscar aqui; sempre tem abóboras”, conta Emerson. A variedade é grande: desde as abóboras-canhão (as grande de pescoço, que pesam acima de 40kg), as abóboras jerimum, paulistinha, morangas e as cobiçadas Cabotiã. “As abóboras precisam de polinização, então para cultivar umas é preciso cultivar outras nas entrelinhas, senão não há polinização entre elas. As abelhas auxiliam (e Emerson tem algumas caixas), mas a polinização cruzada entre as variedades é fundamental”, explica o produtor.

Este ano, em julho, Emerson começará a preparar os ‘berços’, reforçando o que a agricultura orgânica prega: “É preciso primeiro cuidar da terra, adubar, para ter boa colheita”.

Os berços são preparados manualmente, neles é feita adubação verde e adubação com micro-organismos, por meio do conhecido bokashi mistura de vários micronutrientes essenciais , utilizado na agricultura orgânica e que é preparado na propriedade. “Este ano estão previstos 1.600 berços e com este tratamento, que torna um solo bem nutrido, posso garantir uma boa colheita de abóboras. Enquanto o berço é preparado, também tem início o preparo das mudas que serão transplantadas para o berço em setembro/outubro e, em novembro, dependendo das condições climáticas, já será possível ver o campo todo verde, com flores de abóboras. É muito bonito de se ver”, convida Emerson.

A colheita só irá acontecer de 120 a 150 dias, se estendendo de janeiro até março. “Temos o local ideal para o cultivo de abóboras: boa terra e muita água”, conta o produtor, que passou toda a sua vida na região. Entre os planos para este ano está iniciar o microprocessamento das abóboras grandes, para alcançar outros nichos de mercado, entregando em cortes “porque é mais difícil alguém adquirir abóboras muito grandes”.

“Gosto de desafios, o produtor muitas vezes tem que se arriscar e ter visão de futuro”, diz. Por isso, a pandemia não o assustou, pelo contrário, quando muitos produtores de Parelheiros resolveram não cultivar em 2020, ele, por outro lado, cultivou brócolis, couve-flor e várias outras hortaliças em todos os espaços disponíveis. “Plantaria até dentro de casa se pudesse, pois vi que a população ia demandar alimentos e a nossa missão, enquanto agricultores, é fornecer alimentos para a população. Por isso, insisto: é preciso que os governantes olhem com respeito e deem o suporte necessário, porque sem os agricultores não há alimento”, disse Emerson.

O resultado durante o longo e difícil ano de 2020 foi investir ainda mais na agricultura, colher os frutos e vender tudo. “Muitos que não cultivaram vieram me procurar para revender. Levanto todo dia às 4h30 da manhã e volto para casa às vezes já de noite; muitos desistem dessa vida dura, mas é o que eu sei fazer, o que gosto de fazer, desde pequeno”, reforça com entusiasmo.

Aos 49 anos, também tem, principalmente, um grande sonho e desejo: vida longa ao Sítio Orgânico Plenitude. “Espero que pelo menos um dos meus filhos, Matheus e Esther, que diz que quer ser engenheira agrônoma, dê continuidade e mantenha a tradição e o nome de nossa família em Parelheiros”, diz Emerson.


Fonte:
https://www.agricultura.sp.gov.br/noticias/aboboras-e-abobrinhas-o-produtor-precisa-estar-atento-ao-mercado-e-as-melhores-epocas-de-semear-e-de-colher/