VAI PASSAR

Por: Luciana Ribeiro Macedo

Sou uma jovem empresária e estou há pouco mais de 5 anos na direção da empresa. Acredito que até para os líderes que têm décadas de experiência passar pelo caos econômico gerado pelo coronavírus é um grande desafio.
Creio também que nenhum líder tinha uma estratégia traçada para lidar com algo dessa dimensão.Nós, empresários e gestores, estamos de certa forma, preparados para lidar com um ou outro mês sem atingir as metas ou com um determinado percentual de inadimplência de clientes, mas precisar fechar as portas de uma semana para outra ou mudar a forma de trabalhar, isso não estava previsto no planejamento de ninguém.
Tivemos que tomar decisões numa velocidade como nunca havia se visto antes.

No caso da Agroline, como atuamos no comércio de produtos agropecuários, estamos lidando com a situação com muita cautela.
O agro não pode e nem vai parar. Nossos clientes alimentam milhões de pessoas no Brasil e nós precisamos apoiá-los para que esta roda não pare.
Estamos de portas abertas, vendendo, oferecendo suporte técnico, mas, ao mesmo tempo, nos preocupamos com a proliferação do vírus, com nossas equipes, com nossas famílias e, claro, com os nossos clientes.
Assim que começaram a surgir novos casos de contaminação no país, os gerentes das nossas lojas nos solicitaram uma posição sobre como a Agroline operaria diante da situação. Tomamos decisões emergenciais, que não foram tão planejadas, mas que foram necessárias.
Liberamos os colaboradores que estavam no grupo de risco, traçamos escalas de revezamento para o restante das equipes, fizemos um vídeo alertando sobre o vírus e formas de minimizar o contágio, disponibilizamos álcool em gel para os colaboradores e clientes e continuamos a trabalhar.

Mas, e depois disso, o que fazer?
Como ser o líder que a empresa precisa, que pense no amanhã, que lute para encontrar uma forma de superar esta grande adversidade?

Não podemos esperar para ver o que vai acontecer.
Compreendo que algumas empresas estejam suspendendo suas operações, dando férias coletivas, demitindo funcionários ou reduzindo salários, isso porque é impossível para uma companhia aguentar sem faturamento. Mas, se todos seguirmos por esse caminho, quando sairmos desta pandemia o resultado financeiro realmente será gravíssimo, numa escala imensurável.

Nós, líderes, precisamos nos juntar com as nossas equipes, mudarmos a forma de pensar e de agir e fazer o negócio continuar rodando com um novo formato e um novo planejamento. Mas não podemos parar.

Nossos clientes pecuaristas, alguns tecnificados e outros nem tanto, se isolaram em suas propriedades rurais para se protegerem e, ao mesmo tempo, para não pararem seus negócios.
Nossos vendedores, de uma semana para outra, passaram a atender os clientes – com animais doentes e precisando de medicamentos – à distância, através de WhatsApp ou chamadas de vídeo, quebrando barreiras de comunicação com um público pouco aberto a essas tecnologias. E, adivinhe? Está dando certo.
Já estamos sentindo flexibilidade de ambos os lados na forma de se comunicarem e de resolverem o que precisa ser resolvido.

Muitos estão falando sobre aproveitarem a quarentena para refletirem e planejarem. No nosso caso, nós não podemos parar. Precisamos continuar andando, nos reinventando dia após dia e, ao mesmo tempo, pensando num futuro próximo.
Em menos de 30 dias acontecerá a campanha de vacinação contra a febre aftosa e Órgãos de vários estados já comunicaram que não terá prorrogação da vacinação. Portanto, precisamos tomar decisões que fogem da normalidade, pois ainda não compramos a vacina e não conseguiremos garantir a entrega e a vacinação do gado.
É uma cadeia de adversidades que vai influenciar não só o nosso negócio, mas, também, os negócios dos nossos clientes. O momento é de planejar o que vem pela frente.
Não sabemos quando tudo voltará à normalidade, não sabemos como acabará, mas, como líderes, precisamos observar que tudo isso afetará a consciência da humanidade. Já está afetando a nossa forma de nos comunicarmos, afetará os valores organizacionais e a forma de trabalho no dia a dia. Como todos os desafios que passamos, precisamos tirar algo como aprendizado.

As mudanças já estão acontecendo e nós já estamos mudando nosso comportamento. As empresas precisam pensar agora como será o futuro dos colaboradores e clientes que foram transformados pela crise.
Com certeza descobriremos aos poucos, atitudes e ações mais eficientes que as que tínhamos 30 ou 60 dias atrás. Nós precisamos aproveitar essas transformações para nos reinventarmos como profissionais, mudarmos a forma como analisamos a produtividade das equipes, refazermos parcerias, repensarmos processos que pareciam estar funcionando, mas que podem ser ainda melhores.

Veja um exemplo de como as mudanças podem ser boas: montamos um escritório independente para um dos nossos colaboradores que está no grupo de risco. Ele é o único responsável por cobrança em uma das lojas. Em apenas uma semana ele compartilhou o quanto sentiu que pode ser ainda mais produtivo mudando a forma de trabalho que fazia há anos. Esse colaborador observou que pode render muito mais tendo conversas mais focadas e produtivas com os clientes, o que trouxe resultados melhores aos seus objetivos. É isso que precisa acontecer neste momento: mudar para melhorar.
Os líderes precisam se aproximar e escutar suas equipes e juntos traçarem novos caminhos que possam proporcionar recuperação mais acelerada e novos negócios.
É um momento em que precisamos gerar confiança e lealdade junto aos colaboradores e clientes. Nós estamos todos unidos. Não posso soltar da mão dos meus colaboradores e meus clientes não podem soltar da minha mão. Vai passar.

 

Luciana Ribeiro Macedo
Diretora da Agroline