COVID-19. A DISTOPIA TORNADA REAL, SEUS IMPACTOS E DUAS SUGESTÕES AOS NEGÓCIOS: SERVIR E COLABORAR

Por: João Hilário

Planeta Terra, quatorze de abril do ano dois mil e vinte da Era Cristã. Há dois meses o planeta está paralisado. Pessoas isoladas em suas casas, empresas trabalhando num nível mínimo e governos tentando achar o equilíbrio entre proteger as pessoas da doença e evitar a derrocada econômica. Esta introdução até se parece com narrações iniciais de filmes hollywoodianos. Uma utopia é algo desejável, mas irrealizável; uma distopia, em sentido inverso, é algo indesejável que se espera que não ocorra – salvo na ficção, que explora esta narrativa em filmes e livros com enredos futuristas e catastróficos. A pandemia do Covid-19 é uma distopia tornada real. Talvez até provável para alguns, mas inimaginável até hoje, não sabemos antever suas consequências. Tentam-se fazer paralelos com outras pandemias do passado. A realidade atual é inédita. Os contextos econômico, tecnológico e social contemporâneos não têm precedentes. O impacto da pandemia já atingiu mais de 190 países simultaneamente.

E para os negócios? As consequências desta triste realidade só serão conhecidas e tratadas no tempo. Os atuais fatores de sucesso, 1) ter uma solução para uma demanda de um interessado que pague por ela; 2) ter um propósito maior ao qual o interessado se associe quando paga pela solução – porque apenas a solução não basta; e 3) estar na lista de prioridades de gastos do interessado, já não são garantidores de que ele perdurará após a pandemia. O que vai emergir após o naufrágio global causado pelo Covid-19 é o imponderável com que se defrontam os executivos e empresários neste exato momento. Ações imediatas de mitigação dos impactos da pandemia na saúde das pessoas ou que ajudem para sua contenção são bem-vindas, mas não bastam. Elas certamente constroem uma percepção positiva e pró pelos consumidores para com as marcas que as realizam. Contudo, o desafio será o depois. Valores e prioridades se alterarão. Não sabemos a que ponto descerá as necessidades de sobrevivência de algumas camadas sociais e mesmo as chances de rupturas em cadeias de negócios.

Frente a esta situação de completa imponderabilidade dos fatores para construção de uma estratégia ou de planos de curto, médio e longo prazos, o servir é a possibilidade menos arriscada. Servir é o caminho. Servir colaboradores, servir fornecedores, servir clientes e parceiros de negócios, servir competidores, servir a comunidade, servir os valores. Conceitos como o da Economia Circular e do Capitalismo Consciente já propõem conduzir as atitudes empresariais numa direção mais sustentável e colaborativa. E este momento poderá ser um alavancador de novas bases para dinâmicas econômicas mais inclusivas.  Estar a serviço do sustento do todo é a melhor chance de mantermos, o mais preservadas possível, as bases atuais para o que virá depois. Na falta de certezas, na falta de critérios adequados ao momento, colabore. O que nos fará sair menos atingidos desta situação – que nos coloca a todos na mesma condição – será a colaboração. Juntos precisamos nos manter, nos sustentar, não nos deixar naufragar e mitigar as perdas. Depois, quando voltarmos à normalidade, as dinâmicas mercadológicas reassumirão seus postos. Talvez mais colaborativas, quem sabe? Servir e colaborar. O melhor caminho para os negócios nesse momento. E quem sabe escreveremos um novo roteiro. Não para Hollywood, para a vida real.

 

* Publicitário e Executive MBA com carreira desenvolvida em estratégia, marketing e comunicação, atualmente é Head Comercial de uma plataforma digital para o agronegócio
https://www.linkedin.com/in/joaohilariodasilvajr/