A conquista do Cerrado para expandir a produção de alimentos no Brasil

Por: Roberto Rodrigues

É geralmente aceito que o grande fator responsável pelos espetaculares saltos de produtividade e de produção da agropecuária brasileira nos últimos 30 a 40 anos foi determinado pelas inovações tecnológicas geradas em nossos institutos de pesquisa públicos e privados e em nossas universidades, e, naturalmente, pelo empreendedorismo de nossos produtores rurais, que incorporaram rápida e decididamente essas tecnologias.

É claro que alguns planos de governo ajudaram muito o setor ao longo desse período. Com isso, a partir dos anos 1980 do século passado, o Brasil passou de importador de alimentos a um dos maiores exportadores, abastecendo nossa população e as de outros mais de 170 países em todos os continentes.

Entre as políticas públicas mais relevantes – e foram muitas – ressalta-se o Prodecer  (Programa de Desenvolvimento do Cerrado), lançado nos anos 1970, num acordo entre o Brasil e o Japão. Até então, o Cerrado era tido como improdutivo, com terras de pouca fertilidade, ácidas, com baixo teor de matéria orgânica e de nutrientes químicos para plantas.

Mas a ciência domou o Cerrado. Os primeiros estudos realizados pelo Instituto Agronômico de Campinas nas décadas de 1950/60 sobre o café no Cerrado já davam indicações de tecnologias que mudariam os velhos conceitos contra o bioma. Mas a Embrapa deu um impulso ainda maior para seu aproveitamento.